E-Book Original: “O SUSPENSE DO AMOR” cap. 10

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10. O Jantar

Irene ficou um pouco abatida depois da conversa com Dino. Ela via que a paixão dele era muito forte a ponto de ser possessivo e intrometer em assuntos pessoais dela. Quando Dino disse que Irene não o queria devido a sua cor de pele, por ser ele preto e ela branca, ficou um clima pesado entre os dois, mas não fazia nenhum sentido as palavras dele, porque Irene não é racista, mas o que importa é que ao fim da conversa não ficou desentendimentos entre eles. Eles eram apenas vizinhos e somente grandes amigos, Irene sempre sentiu muito apreço por ele, mas não poderia corresponder sua paixão desmedida.

Quando Dino saiu, Irene foi imediatamente preparar o jantar, estava muito empolgada em receber os convidados em sua casa para a cerimônia daquela noite, que com certeza seria um marco na vida dela. Duda tomou seu banho, nunca tinha tomado um banho daqueles, ele contava para Irene que este foi seu primeiro banho de verdade, porque às vezes pra se lavarem, ele e o amigo Jamil pulavam em algum chafariz pra tomarem banho de qualquer maneira. Duda estava mais feliz ainda por estar vestindo roupas novas e ele compartilhava todas as sensações com Irene, todas seus pensamentos ele deixava claro, como forma de agradecê-la.

Na casa de Lúcia, Régis e Drica continuavam conversando sobre os acontecimentos do dia, quando Lúcia desceu a escada da mansão e foi até a sala de estar onde eles estavam conversando, Régis tentou proibir Lúcia de levar Drica às futuras ações de caridade, ele logo alegou que a esposa estava fazendo com que a filha do casal convivesse com mendigos e que isso era péssimo pra boa educação dela, uma menina que estudava nos melhores colégios do Rio, que estudava inglês e francês, fazia aulas de piano, não poderia ficar rodeada de mendigos.

– Lúcia meu amor, você há de convir comigo. Levar a Drica para essas ações de caridade junto aos mendigos é péssimo, que tipo de influência ela vai adquirir? Vamos desperdiçar o estudo e o bom comportamento da nossa filha quando ela se encontrar com moradores de rua, e ainda trocar conversas com um garoto assaltante! Drica contara ao pai que se tornara amiga de Duda e que ele era foi um ladrão, mas agora arrependido dos seus atos. O pai que já não gostava que Lúcia envolvesse a filha nessas questões de caridade, teve mais um motivo.

Lúcia respondeu afirmando que Duda, o mendigo assaltante era um bom garoto, e que havia se arrependido do roubo e tanto as pessoas do Clube de Caridade quanto as pessoas que são as ajudadas estão em na mesma linha espiritual, pois a alma de todos é igual perante Deus, e que a filha vendo como vivem algumas pessoas de sua cidade, ela agregaria experiência de vida. Sem mais conversa, Lúcia chamou Drica para irem ao jantar, Nanda que apareceu na porta da sala se juntou a elas e foram as três para a casa de Irene.

Ao chegarem á casa de Irene, Lúcia, Drica e Nanda foram bem recepcionadas pela anfitriã, logo elas viram Duda, de banho tomado e bem vestido. Duda era outra pessoa, sua pele clara ficara limpa, não era mais aquele garoto encardido, e suas roupas não eram mais os trapos sujos, pois agora ele trajava uma camiseta e calça bem alinhadas e calçava um tênis. Foi um impacto pra elas e Lúcia fez questão de elogiar o tratamento de Irene para com o menino mais uma vez.

– Irene vendo o Duda assim, eu só posso elogiar ainda mais a sua postura diante de toda situação, o que você vem fazendo por esse garoto é muito digno. Dissera Lúcia para Irene que agradeceu a amiga. Nanda que já estava apaixonada por Duda, ficou ainda mais, porém não conseguiu dizer nenhuma palavra porque ficou tímida ali, mas queria se declarar em momento oportuno. Drica não se manteve calada, e também elogiou assim como a mãe.

– Duda você está mudado. Mamãe isso que podemos chamar de processo ressocialização, não é mesmo? Disse Drica sorridente para a mãe se referindo a Duda. Ouvindo a palavra ressocialização, Duda quis saber qual era esse processo que ele estava passando e Irene explicou.

– Sua ressocialização, Duda, começou quando você se arrependeu do roubo, e com a ajuda de todos nós que agora estamos dando continuidade a esse processo que vai se concretizar. Sobre a concretização do processo de ressocialização de Duda, Lúcia já desconfiava do que se tratava, mas não quis comentar, iria esperar Irene se manifestar.

Logo chegaram Dino e Verinha para o jantar. Verinha também ficara encabulada com a mudança da aparência de Duda, notara que ele havia cortado o cabelo também. Sim nesse curto período de aproximação entre Duda e Irene, a boa senhora fizera muita coisa para mudar o garoto, e muito mais coisas estavam por vir. Lúcia explicou que Régis já tinha compromisso e não iria ao jantar, então todos os convidados já estavam no local. Irene serviu os pratos e estava tão emocionada vendo todos ali reunidos na mesa que quis dizer algumas palavras.

– Eu juro que vou tentar falar sem chorar. Vocês vão me achar muito emotiva, mas eu estou muito feliz de estar rodeada na mesa de jantar por pessoas que eu gosto. Vocês são minha família. Lembra Dino? Foi mais ou menos isso que eu falei na reunião que completou um ano da sopa?  Perguntou Irene pra Dino emocionada, mas Duda respondeu.

– Eu lembro dona Irene eu estava lá também. Eu lembro da senhora falar que considerava todos os mendigos ali presentes como se fosse da sua família. Eu lembro muito bem, porque foi o dia que nós roubamos a senhora. Disse Duda emocionado.

– Duda a verdade é que não há conselho melhor que um dia após o outro. O passado ás vezes merece ficar no lugar onde ele está, vamos deixar o presente assumir o palco das nossas vidas. Bom meus amigos eu estou muito grata por ter todos aqui nesse jantar, desde que papai e mamãe morreram que eu não fazia esse tipo de jantar, mas vocês me proporcionaram essa volta. Disse Irene antes de começarem a comer.

Todos comeram do jantar de Irene, tomaram a sobremesa e antes de irem embora as pessoas presentes dispersaram e se aproximaram pra conversar particularmente. Irene se juntou a Lúcia, Drica e Nanda se juntaram a Duda, e Dino se juntou a Verinha fora da casa para fumarem.

– Boa noite, sou o Dino, vizinho da Irene. Disse Dino para Verinha.

– Boa noite, a Irene falou de você. Prazer Verinha. Era você que ajudava ela na distribuição de sopa, mas que há uma semana se recusou continuar por causa do roubo.  Respondeu Verinha.

– Eu tinha um motivo pra parar de ajudá-la. O roubo foi assustador pra ela. E um agora o culpado está lá dentro da sala. Eu me nego a aceitação desse moleque perto da Irene, já tentei alertá-la, mas ela é cabeça dura. Eu espero que ela despache-o após esse jantar. Dino era totalmente contra a presença de Duda dentro da casa de Irene e queria saber a opinião de Verinha.

Sim, eu entendo a sua preocupação. O garoto praticou um crime, é normal sentir alguma indignação por não vê-lo pagando por isso. Mas eu vejo pelos mesmos olhos da Irene. Ela está cuidando da ressocialização dele, porque ela viu que pode. Ela olhou nos dele, senhor Dino, ela deve ter olhado dentro dos olhos do garoto Duda e pensado que ele merece tudo isso. E ela tem tudo sobre controle, e tem o meu apoio e da Lúcia. Respondeu Verinha para Dino enquanto tragava seu cigarro.

Dentro da casa, Irene afirmara para Lúcia que reuniria todos novamente pra anunciar sua nova decisão.

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Sobre o Autor Matheus Henri

Goianiense, 25 anos. “Podemos conversar sobre os assuntos mais quentes do momento, ou talvez seja melhor sobre os nossos sentimentos, pois compartilhados se tornam desabafos e pura liberdade. Sou escritor de contos de ficção e de citações sobre o pensamento e comportamento humano desde a infância, atualmente estudo Interpretação Teatral no Instituto Tecnológico de Goiás em Artes Basileu França. Sou Bacharel em Direito pela Universidade Salgado de Oliveira Campus Goiânia 2019/2.”

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