E-Book Original: “O SUSPENSE DO AMOR” cap. 6

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6. Perdão

Finalmente chegou o fim de semana mais esperado da vida do pobre Duda, ele carregava consigo a foto e a oração de Irene, guardadas no bolso maior do calção para não serem amassadas e uma parte da sua parte do roubo. Duda não aguentara a fome misturada com a sensação de ter algum trocado no bolso, portanto gastara um pouco do dinheiro com comida. Ele estava disposto a devolver tudo, logo naquela manhã durante a distribuição de sopa.

Irene relutara consigo mesma, durante o dia posterior ao roubo se continuaria ou não com a distribuição de sopa, de um lado uma voz falava para ela desistir de tudo, era o medo, os conselhos do amigo Dino com a recusa dos moradores, todos visando a proteção dela e junto a essa voz tambem estava o trauma de ter perdido a foto e a oração, seus objetos de família. Do outro lado falava a voz da superação, da caridade, da coragem de estar na linha de frente de um problema tão grande que é a fome advinda da desigualdade social, e junto a essa voz, Irene encontrou duas amigas, Verinha e Lúcia, duas mulheres preocupadas com a fome das pessoas que vivem em situação de miséria na cidade do Rio de Janeiro.

Verinha e Lúcia apresentaram Irene para os demais associados do Clube de Caridade em uma cerimônia de boas vindas na sexta-feira a noite. Irene em nenhum momento se sentiu inferior a todos que estavam ali, mesmo sendo a mais pobre entre todos, lógico, pois era um Clube totalmente elitista frequentado apenas pelos mais ricos, mas todos com o intuito de ajudar pessoas em situação desconfortável como a dos moradores de rua.

Irene dedicou toda a manhã de sábado preparando a sopa. Verinha e Lúcia a ajudariam no carregamento e distribuição, elas também queriam se familiarizar com as pessoas da região onde Irene já era famosa. Também Verinha e Lúcia prometeram a Irene que no clube ela iria romper barreiras e assim atingir mais pessoas na distribuição de comida e que teria mais pessoas para ajudar na preparação. Irene agradecia muito pelo destino ter colocado Verinha e Lúcia em seu caminho, mas como ela dissera uma semana atrás, se tratava do milagre da multiplicação, ou também seria o milagre da colheita por todo o trabalho empregado de um ano alimentando os mendigos.

Na casa de Lúcia, se arrumavam mãe e filha para participarem da distribuição de sopa. Lúcia, casada com Régis, o mesmo que teve uma conversa nada agradável com Irene na noite anterior, eles tinham uma filha adolescente juntos, chamada Drica. A menina Drica tinha um certo sentimento de preconceito com moradores de rua, isso construído pela educação do pai, apesar de Lúcia sempre tentar colocar na mente da filha que os bens materiais que uma pessoa possui, não definem quem ela é. Bom antes de Lúcia e Drica saírem para encontrarem Verinha. Drica contou a mãe de última hora que tinha convidado a amiga Nanda para ir junto. Nanda, melhor amiga de Drica estudam no mesmo colégio. Nanda é filha de Luísa, empregada da casa da família Montenegro, e estuda no tal colégio caro através de bolsa de estudos, portanto ela é de uma classe social bem mais baixa do que Drica, filha de Lúcia – a única herdeira da Montenegro Cosméticos, empresa administrada por Régis. Lúcia, Drica e Nanda estavam prontas para saírem quando Régis chegou da empresa.

– Já estão indo se misturar com os mendigos? Lúcia você ainda vai levar nossa filha e a filha da empregada? Indagou Régis, que chegara da empresa exaltado.

– Estou indo para o trabalho, você trabalha na empresa que era do meu pai, e agora minha, e eu trabalho no Clube de Caridade da Verinha. As meninas vão comigo porque elas querem ir, e vão ser pessoas a mais para ajudar, a Drica precisa perder esse preconceito com mendigos. (Drica sorri envergonhada). Assim responde Lúcia para Régis.

– Eu não tenho preconceito com mendigos mamãe, mas o papai sempre se refere a eles como pessoas com as quais não deveríamos nos misturar. Diz Drica em sua defesa.

– A Luísa autorizou a ida da Nanda, então está tudo certo. Você que não me parece bem, está meio exaltado. Confrontou Lúcia, explicando a idade de Nanda e o modo como o marido chegara em casa.

Régis havia saído da empresa e já bebido um pouco de conhaque, naquele sábado tivera uma reunião tensa na empresa. Régis relatou tudo o que aconteceu na reunião para Lúcia. Régis demitiu um dos farmacêuticos mais antigos da empresa, homem da confiança do pai de Lúcia, por algum atrito que tiveram no passado e agora que Régis passara ao posto de administrador chefe da empresa, demitiu o pobre homem, e na saída da reunião, encontrou o filho do farmacêutico chorando, porque o pai já havia contado que perdera o emprego ao filho. O nome do filho do farmacêutico é Glauco e estuda junto com Drica e Nanda no mesmo colégio. Após a reunião e ao encontrar Régis, o garoto cuspiu no antigo patrão de seu pai, quis entrar nos tapas com ele, mas sr conteve e disse apenas que um dia se vingaria de Régis por ter demitido seu pai. De início Lúcia se importou com a situação, pois conhecia o funcionário demitido, mas não deu muita importância, pois Régis nunca ouvia a opinião dela relativa aos negócios, e ela junto com Drica e  Nanda deveriam encontrar logo Verinha e depois Irene. Lúcia pegou seu veículo, um fusca azul marinho bem popular nos anos 70.

Lúcia, Drica e Nanda se encontraram primeiro com Verinha e depois com Irene. Mas antes elas almoçaram da sopa de Irene juntas, ninguém conseguiu resistir ao aroma e boa cara da sopa. Depois de comerem colocaram as paneladas e demais utensílios no fusca e partiram para a entrada da favela do Vidigal, onde bastante gente da rua se reuniria para se alimentar da sopa de Irene. Lúcia e Verinha ficaram encantadas com a forma que Irene se relaciona com os mendigos, foi uma verdadeira aula de caridade.

Irene tinha deixado Verinha, Drica e Nanda servindo sopa e foi conversar com alguns moradores de rua juntamente com Lúcia pra saberem se eles não precisava de mais alguma coisa como roupas ou objetos de higiene, quando Irene olhou pra sua direita e viu Duda que já apareceu totalmente dominado pelo medo de uma retaliação, com a foto e a oração nas mãos, e caso no momento em que alguém o reconhecesse e quisesse lhe fazer linchá-lo, fugiria ou diante da necessidade sacaria seu canivete pra se defender de uma possível retaliação. Mas a primeira pessoa a reconhecer Duda foi Irene, ela entrou em choque, nunca pensou que fosse reaver a foto dos pais e a oração da avó novamente. Duda foi no sentido dela com as mãos estendidas, Irene então correu até o seu assaltante, pegou a foto e a oração, e antes que Duda colocasse a mão no bolso para pegar o que sobrara da quantia em dinheiro, Irene lhe de um abraço apertado.

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Sobre o Autor Matheus Henri

Goianiense, 25 anos. “Podemos conversar sobre os assuntos mais quentes do momento, ou talvez seja melhor sobre os nossos sentimentos, pois compartilhados se tornam desabafos e pura liberdade. Sou escritor de contos de ficção e de citações sobre o pensamento e comportamento humano desde a infância, atualmente estudo Interpretação Teatral no Instituto Tecnológico de Goiás em Artes Basileu França. Sou Bacharel em Direito pela Universidade Salgado de Oliveira Campus Goiânia 2019/2.”

Encontre o autor Matheus Henri em:
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