E-Book Original: “O SUSPENSE DO AMOR” cap. 2

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2. Um arrependimento na praia

Enquanto os dois garotos correram, os olhos de Irene os acompanhou até o momento em que sumiram no final da rua que dava no ponto de encontro onde é servida a sopa beneficente. Foi tudo muito rápido, o coração de Irene foi de festivo á desolado em menos de uma hora. Minutos antes estava ela se sentindo feliz e comemorando um ano contínuo de boas ações e de repente durante a atividade de boa ação acontecia a tragédia. Irene sofria mais por ter perdido a única foto dos pais e o bilhete da avó que carregava consigo do que pelo valor da bolsa ou a quantia em dinheiro que continha lá dentro. Ela estava perto de perder os sentidos quando o amigo Dino juntamente com os moradores de rua a ajudaram a levantar-se.

– Irene eu estou muito revoltado, você vem pra cá, dedica a manhã toda preparando essa refeição, gasta parte da sua aposentadoria, e é assim que é agradecida, venha eu vou levá-la ao pronto-socorro. Dino estava mesmo muito revoltado em ver a amiga, a quem ele era apaixonado naquela situação. Mas não só para Dino, a situação era revoltante, mas também para os outros moradores de rua que estavam indignados e que se viram impotentes diante dos dois moleques armados.

Irene se sentia mal fisicamente, o coração batia descompassadamente e os joelhos sangravam muito, talvez fosse necessário o médico dar vários pontos cirúrgicos nos cortes. Mas o que doía mais era imaginar a perda dos seus bens mais valiosos, a única foto dos pais e a oração do Pai-Nosso escrito á mão pela avó.

Obrigado Dino, obrigado á todos vocês e não se sintam mal, não fiquem revoltados com aqueles garotos. Eu estou muito triste por ter perdido a fotografia de papai e mamãe e o bilhete de vovó, mas estamos vivos, ninguém perdeu sua vida hoje, eles estavam armados e poderiam cometer uma tragédia conosco. Assim Irene tentava consolar-se e também consolar Dino e os moradores de rua, mas estes já tinham um veredito para ela.

Irene está decidido, você não vai mais distribuir sopa para esses favelados. Revelava Dino para Irene, essas palavras foram outro baque para ela.

– Dino você não manda em mim! Está sempre tentando me cortejar, e eu deixo bem claro que não quero me casar, você é apenas meu amigo, não é meu marido para me proibir, e mesmo se fosse, não me impediria  de fazer a minha caridade.  Irene reagiu mal as palavras de Dino. Aquilo para ela foi um absurdo, já que a distribuição de sopa e sua caridade são para ela sua forma de viver. Mas Dino tentou remediar dizendo que aquilo teria sido decisão dos próprios mendigos, que por mais que gostassem de Irene e da boa ação dela, viam que ela corria riscos em estar junto à eles, e que outros roubos poderiam acontecer.

Enquanto Irene tentava se recompor após o roubo, em outro ponto da cidade, em um bairro nobre duas mulheres da alta sociedade carioca envolvidas com ações beneficentes, já sabiam da existência dela, eram as primas Verinha e Lúcia.

– Precisamos localizar essa dona Irene, ela trabalha a tempos servindo sopa para uma multidão de moradores de rua daqui do Rio de Janeiro, já é um nome bastante conhecido nas periferias cariocas. Quando ela se juntar ao nosso Clube de Caridade, vai ser uma perfeita junção, ela com seu carisma entre os mendigos e nós com nosso capital e influência, vamos aumentar ainda mais nossa fama, creio que até o presidente do Brasil vai querer marcar um jantar conosco, e eu vou ser a convidada para algum Ministério. Pronunciava Verinha em tom alegre para sua prima Lúcia. Verinha, era uma mulher de meia-idade, bonita e esbelta, tinha um coração bom e disposto a ajudar, mas sua maior preocupação era ser a mais influente socialite fluminense e estampar as capas das revistas, e agora no comando do Clube de Caridade estava ainda mais sonhadora e via em Irene uma grande escada para a fama. Ao contrário de sua prima Lúcia, a mais rica entre elas e talvez uma das mulheres mais ricas da cidade e de família tradicional, grande herdeira da empresa Montenegro Cosméticos. Lúcia sentia que precisava provar para o marido machista, Régis – que se tornou adiministrador da empresa da família por indicação do pai dela – que não era apenas uma mulher fútil e interessada apenas em esbanjar dinheiro com compras, como ele a chamou várias vezes, e que ao contrário, estava pronta para o trabalho duro, e o trabalho no Clube de Caridade a fazia se sentir muito digna.

Depois de tanto correrem o máximo que puderam para não serem alcançados, Jamil e Duda pararam na Praia de Copacabana, ali eles dividiram o resultado do roubo.

Meu grande parceiro Duda, nós formamos uma grande dupla. Tenho certeza meu chapa que esse não será nosso último roubo, viu como foi fácil e todos serão assim. Jamil estava mesmo muito feliz com o êxito que tiveram, Duda nem tanto.

– Chega de papo Jamil, daqui a pouco o sol vai se por, vamos dividir logo a grana, já estou aqui imaginando em como vou gastar minha parte, vou comprar bastante doce, salgadinho, refrigerante. Duda estava decidido com o que fazer com sua parte do roubo, iria comprar comida, mesmo que fosse besteiras. Eles se sentaram na areia da praia. Jamil retirou os pertences de dentro da bolsa, a primeira coisa que ele tirou foi a foto dos pais de Irene e a oração do Pai-Nosso, ele não pensou duas vezes, jogou os objetos inestimáveis de Irene pelos ares e o vento os carregou para bem longe de onde estavam. Jamil fez uma divisão certeira do valor da bolsa e do dinheiro e os dois se deram por satisfeitos. Então Jamil se levantou deu um abraço apertado no companheiro Duda e falou.

– Duda compra sua comida meu amigo e não se preocupa, não vamos mais passar fome, todo dia vamos ter grana pra comprar todo tipo de comida. Mas hoje eu tenho um compromisso com esse dinheiro e não é com comida. A gente se encontra depois! Agora quem estava cabisbaixo era Jamil, ele se lembrara que tinha uma dívida com algum traficante, os dois garotos que aparentemente tinham seus catorze anos de idade, sempre foram mendigos, mas Duda não tinha se levado pelo mundo das drogas, ao contrário de Jamil que já estava totalmente afundado. Eles se despediram, Jamil foi embora e Duda continuou sentado na areia, mal sabiam eles que aquele seria o último abraço dos dois, o último roubo e a última conversa que teriam. Enquanto Jamil seguiu seu rumo para pagar sua dívida, Duda continuou contando o dinheiro, quando o rosto de dona Irene veio em sua cabeça, os gritos desesperados pela foto e a oração não paravam de gritar desta vez no seu subconsciente e ele pensou que a felicidade deles tinha custado a infelicidade dela. Então ele se levantou imediatamente para tentar recuperar a fotografia e a oração levadas pelo vento.

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Sobre o Autor Matheus Henri

Goianiense, 25 anos. “Podemos conversar sobre os assuntos mais quentes do momento, ou talvez seja melhor sobre os nossos sentimentos, pois compartilhados se tornam desabafos e pura liberdade. Sou escritor de contos de ficção e de citações sobre o pensamento e comportamento humano desde a infância, atualmente estudo Interpretação Teatral no Instituto Tecnológico de Goiás em Artes Basileu França. Sou Bacharel em Direito pela Universidade Salgado de Oliveira Campus Goiânia 2019/2.”

Encontre o autor Matheus Henri em:
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Askfm: matheushenry474
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